terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Todo Cais traz saudade !

Sozinho, no cais deserto, a esta manhã de Verão,
Olho pró lado da barra, olho pró Indefinido,
Olho e contenta-me ver...

Ah, todo o cais é uma saudade de pedra !
E quando o navio larga do cais
E se repara de repente que se abriu um espaço
Entre o cais e o navio,
Vem-me, não sei porquê, uma angústia recente,
Uma névoa de sentimentos de tristeza
Que brilha ao sol das minhas angústias relvadas
Como a primeira janela onde a 

madrugada bate,
E me envolve com uma recordação duma outra pessoa
Que fosse misteriosamente minha.


Fernando Pessoa


             Lusinete Bär. Beiramar Continetal/Florianópolis

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