Olho pró lado da barra, olho pró Indefinido,
Olho e contenta-me ver...
Ah, todo o cais é uma saudade de pedra !
E quando o navio larga do cais
E se repara de repente que se abriu um espaço
Entre o cais e o navio,
Vem-me, não sei porquê, uma angústia recente,
Uma névoa de sentimentos de tristeza
Que brilha ao sol das minhas angústias relvadas
Como a primeira janela onde a
madrugada bate,
E me envolve com uma recordação duma outra pessoa
Que fosse misteriosamente minha.
Fernando Pessoa
Lusinete Bär. Beiramar Continetal/Florianópolis
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